O que define a qualidade do biogás?

A produção de biogás é um processo biológico complexo e, por isso, sua qualidade pode variar muito de acordo com a matéria-prima, as condições operacionais e o próprio desenho do reator. Para quem trabalha com biogás, entender o que define “qualidade” é o que determina viabilidade econômica, eficiência energética e segurança operacional.

Mas, afinal, o que faz um biogás ser considerado bom?

A resposta começa pela composição, mas vai além dela. A seguir, explicamos os fatores realmente decisivos para a qualidade do biogás e como avaliá-los de forma prática.

Teor de metano (CH₄): o indicador principal

O metano é a fração energética do biogás. Quanto maior sua concentração, maior o poder calorífico e melhor o desempenho nos processos de combustão, geração elétrica ou upgrading para biometano.

  • Concentração ideal: 55% a 70%
  • Impacto direto: mais eficiência e menor custo por kWh produzido
  • Como melhorar: controle de carga orgânica, temperatura, pH e estabilidade do processo

Quedas no teor de metano geralmente indicam sobrecarregamento, acidificação ou mudanças inesperadas no substrato.

Níveis de dióxido de carbono (CO₂): quanto menor, melhor

O CO₂ não é tóxico, mas reduz o poder calorífico do gás. Em sistemas que geram energia, altos níveis podem impactar diretamente a performance.

A faixa típica fica entre 25% a 45% e o impacto está na queda de rendimento, maior desgaste do motor, menor eficiência térmica

No upgrading, remover CO₂ é essencial para elevar o teor de CH₄ e produzir biometano.

Contaminantes críticos: o que precisa ser monitorado com rigor

  • Sulfeto de hidrogênio (H₂S): é o contaminante mais problemático do biogás, por ter características corrosivas, altamente tóxicas e causar desgaste prematuro em motores e tubulações. Faixa recomendada: idealmente < 200 ppm para uso energético, < 100 ppm para proteção de motores mais sensíveis. Origem: substratos ricos em proteínas e enxofre.
  • Umidade: a água presente no biogás pode condensar nas linhas e carregar H₂S dissolvido, ampliando corrosões. Pode provocar oxidação de equipamentos, afetar medição e compressão, além de aumentar custos de manutenção.
  • Amônia (NH₃): em concentrações altas, pode ser inibitória ao processo biológico e impactar motores. Origem: dejetos com alta carga de nitrogênio.
  • Siloxanos: Comuns em resíduos urbanos, quando combustos viram partículas abrasivas. Pode levar ao desgaste acelerado de pistões, cabeçotes e válvulas.

Poder calorífico: energia útil por metro cúbico

O poder calorífico (PCI ou PCS) depende diretamente do teor de CH₄ e da presença de contaminantes.

  • Biogás de alta qualidade: PCI acima de 20 MJ/m³
  • Aplicações mais exigentes (biometano, mobilidade): PCI ainda maior

Esse índice define se o biogás será competitivo energeticamente.

Estabilidade do processo: qualidade que não oscila

Não basta ter um biogás bom, também é preciso garantir que ele continue bom. A estabilidade depende de:

  • Taxa de carregamento adequada;
  • Controle de temperatura;
  • Monitoramento de AGV e alcalinidade;
  • Prevenção de acidificação;
  • Homogeneidade do substrato.

Plantas que oscilam na produção apresentam quebras operacionais, menor rendimento, maior OPEX e maior risco de colapso do processo.

Monitoramento: o que diferencia plantas amadoras de plantas eficientes

A qualidade real do biogás só é conhecida quando existe monitoramento contínuo e interpretação correta dos dados.

Ferramentas essenciais:

  • Sensores de CH₄, CO₂ e H₂S;
  • Analisadores portáteis e online;
  • Protocolos de calibração;
  • Registros históricos;
  • Análises laboratoriais de substratos

O monitoramento não serve apenas para diagnosticar problemas, mas para otimizar o processo e melhorar o rendimento energético.

Biogás de qualidade é resultado de engenharia bem dimensionada, operação estável, controle rigoroso de contaminantes e monitoramento contínuo.

Quanto melhor o biogás, maior a eficiência energética, menor o desgaste dos equipamentos e maior a rentabilidade da planta.

A qualidade começa no laboratório, passa pelo projeto do reator e se consolida no dia a dia da operação e é nesse ciclo completo que a M Lima atua.

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