A expansão do biogás no Brasil segue em ritmo acelerado, impulsionada pelo agro, transição energética, crédito de carbono e incentivos internacionais. Mas enquanto os investimentos crescem, a taxa de falha de projetos continua alta.
Muitos empreendimentos enfrentam baixa eficiência, paradas constantes, retorno financeiro abaixo do previsto e, nos piores cenários, descontinuação total após 18 a 36 meses.
Em 2026, esse cenário se intensifica: projetos ficam maiores, mais integrados e mais expostos a riscos técnicos e econômicos.
Por isso, qualquer produtor, cooperativa, usina ou indústria que planeja entrar no setor precisa partir de um checklist sólido de riscos, com abordagem de engenharia, dados e operação.
A seguir, o checklist definitivo da M Lima Biogás para orientar decisões antes, durante e depois da implementação.
1. Qualidade e variabilidade dos substratos
Grande parte das falhas vem da superestimação do potencial de biogás ou da incapacidade de lidar com variações dos resíduos. Perguntas essenciais:
- O substrato foi caracterizado em laboratório (DQO, DBO, ST, SV, C/N)?
- Existe sazonalidade de produção?
- Há risco de contaminação com químicos, areia, fibras ou metais?
- O projeto depende de terceiros para fornecimento contínuo de resíduos?
Risco: queda brusca de produção e instabilidade operacional.
2. Dimensionamento incorreto do reator
O reator é o ponto central do sistema, e erros de dimensionamento levam a: TRH inadequado, sobrecarga orgânica, digestão incompleta e acidificação. Perguntas essenciais:
- O TRH foi modelado com base real nos substratos?
- A taxa de alimentação acompanha a projeção de crescimento da produção rural?
- O reator foi dimensionado para cenários de pico e baixa?
Risco: perda de eficiência e necessidade de reformas estruturais (custos altíssimos).
3. Falta de dados reais antes da escala industrial
Projetos que pulam a etapa de validação em bancada têm maior probabilidade de falhar. Perguntas essenciais:
- Houve testes de biodegradabilidade?
- O comportamento dos substratos foi simulado em reatores de bancada?
- O projeto inclui um piloto para validar hipóteses?
Risco: o sistema é instalado em escala plena sem se saber se os resíduos realmente funcionam bem juntos.
4. Instrumentação insuficiente
Muitas plantas instalam sensores “mínimos” e operam no escuro. Indicadores críticos que precisam ser monitorados: pH, alcalinidade, temperatura, biometano (%), pressão, produção horária e diária e relação VFA/TA
Risco: o operador só percebe que algo está errado quando já perdeu eficiência — ou quando o reator desestabiliza.
5. Operação sem capacitação técnica
Mesmo um projeto tecnicamente impecável falha se a operação não acompanha. Perguntas essenciais:
- A equipe está treinada para interpretar dados?
- Existe procedimento operacional padronizado (POP)?
- Há protocolo de emergência para quedas de produção ou acidificação?
Risco: decisões equivocadas que arruínam semanas de processo biológico.
6. Falta de integração energética e econômica
O biogás não pode ser visto apenas como “produção de gás”, a planta precisa gerar retorno real. Perguntas essenciais:
- Há estudo de viabilidade considerando múltiplos usos (energia, térmico, CO₂, biofertilizante)?
- O CAPEX e OPEX foram modelados em cenários conservadores?
- O mercado comprador está garantido?
- A integração com outros fluxos (suínos, leite, vinhaça, bagaço etc.) foi considerada?
Risco: projeto financeiramente inviável após 6–12 meses.
7. Não considerar expansão futura
A bioeconomia cresce rápido e projetos rígidos ficam obsoletos. Perguntas essenciais:
- A planta permite modularidade?
- Existe previsão de aumento de capacidade?
- Os sistemas elétricos e hidráulicos comportam ampliação?
Risco: necessidade de reconstruir tudo para crescer.
O setor de biogás falha, em geral, por falta de profundidade técnica no início.
Seguir este checklist reduz drasticamente os riscos e aumenta a vida útil, a estabilidade e o retorno do investimento.
Na M Lima Biogás, atuamos desde a modelagem de substratos até o desenvolvimento de reatores, instrumentação e suporte técnico contínuo. Projetos que seguem um rigor metodológico têm outro destino: eficiência, segurança e longevidade.
