Quando se fala em biogás, ainda é comum associar qualidade apenas ao volume produzido. Mas, na prática, quantidade sem qualidade não sustenta eficiência energética, estabilidade operacional nem viabilidade econômica.
A qualidade do biogás é definida por um conjunto de parâmetros técnicos que impactam diretamente o desempenho do sistema, a vida útil dos equipamentos, a geração de energia e o retorno sobre o investimento (ROI). Ignorar esses indicadores é um dos principais motivos de frustração em projetos de biogás, especialmente no meio rural e agroindustrial.
Neste artigo, explicamos quais são os principais parâmetros que definem a qualidade do biogás e por que eles devem ser monitorados desde a fase de projeto até a operação contínua.
1. Teor de metano (CH₄): o coração do biogás
O metano é o componente energético do biogás. Quanto maior sua concentração, maior o poder calorífico do gás.
- Biogás de boa qualidade: geralmente acima de 55% de CH₄;
- Projetos mais eficientes: podem atingir 60% a 65%, dependendo do substrato e do controle do processo
Teores baixos de metano indicam desequilíbrios no processo biológico, como sobrecarga orgânica, tempo de retenção inadequado, problemas de pH ou alcalinidade e substratos mal caracterizados.
Produzir muito biogás com pouco metano é sinônimo de produzir custo, não energia.
2. Presença de contaminantes: o risco que ninguém vê
Nem tudo que sai do reator é aproveitável. O biogás pode conter contaminantes que comprometem equipamentos e reduzem drasticamente a vida útil do sistema. Os principais são:
- Sulfeto de hidrogênio (H₂S): altamente corrosivo, ataca motores, tubulações e sistemas de queima.
- Umidade excessiva: provoca corrosão e falhas mecânicas.
- Siloxanos (em alguns resíduos): formam depósitos abrasivos em motores
A qualidade do biogás não é apenas energética, mas também química. Projetos bem dimensionados já consideram sistemas de remoção ou mitigação desses contaminantes.
3. Estabilidade da produção: mais importante que picos
Picos de produção podem impressionar no início, mas não sustentam um projeto ao longo do tempo. A qualidade do biogás também está associada à sua regularidade, que depende de:
- Alimentação constante e homogênea;
- Mistura adequada de substratos;
- Controle de temperatura;
- Monitoramento de carga orgânica.
Oscilações frequentes indicam instabilidade microbiológica, o que aumenta riscos operacionais e dificulta qualquer planejamento energético.
4. Relação entre substrato e qualidade do gás
A origem do resíduo impacta diretamente a qualidade do biogás. Substratos diferentes geram gases com características distintas: dejetos animais, resíduos agroindustriais, efluentes líquidos, misturas integradas (codigestão).
Por isso, a caracterização do substrato é etapa crítica, envolvendo parâmetros como DQO, DBO, sólidos totais e voláteis e relação C/N.
Sem esses dados, o projeto opera sem direcionamento.
5. Instrumentação e monitoramento: onde a qualidade é garantida
Projetos que tratam biogás como um processo industrial, e não apenas biológico, apresentam resultados muito superiores. Entretanto, isso exige:
- Sensores confiáveis;
- Coleta contínua de dados;
- Análise de tendências;
- Ajustes operacionais baseados em dados reais.
A qualidade do biogás não é um estado fixo, é um resultado dinâmico de decisões técnicas bem informadas.
Qualidade define viabilidade
Mais do que produzir biogás, o desafio do setor é produzir biogás com qualidade previsível, estável e compatível com os objetivos energéticos e financeiros do projeto.
É aqui que a engenharia aplicada faz a diferença: transformando variabilidade biológica em desempenho técnico. Na M Lima Biogás, qualidade não é consequência do acaso, é resultado de projeto, instrumentação, testes e controle.
